Preço de produtos agropecuários em reais bate recorde

Cotação em reais commodities agropecuárias que têm impacto sobre a inflação atingiu em dezembro o maior patamar da série histórica

O preço em reais das commodities agropecuárias que têm impacto sobre a inflação atingiu em dezembro o maior patamar da série histórica. É o que mostra o Índice de Commodities Brasil (IC-Br), calculado pelo Banco Central (BC). O indicador é construído com base nos preços dos produtos básicos agrícolas, metálicos e energéticos, convertidos para a moeda brasileira.

No mês passado, o preço das commodities agropecuárias subiu 1,72% na comparação com novembro, alcançando 220 pontos. Com isso, superou o pico anterior, de 216 pontos, registrado em novembro do ano passado e em janeiro de 2016. A série histórica tem início em 1998. Entram no cálculo carne de boi, carne de porco, algodão, óleo de soja, trigo, açúcar, milho, arroz, café, suco de laranja e cacau.

No ano de 2019 como um todo, a alta dos preços das commodities agropecuárias foi de 9,41%, enquanto o IC-Br teve crescimento mais modesto, de 6,09%. O desempenho do índice composto foi puxado para baixo pela valorização menor das commodities metálicas (1,62%) e pela desvalorização das commodities energéticas (1,82%). Ao contrário dos produtos agropecuários, as commodities de ambas as categorias estão mais baratas do que estiveram em anos anteriores.

“Tanto os grãos quanto as carnes tiveram um fim de ano forte, que tende a se manter em 2020”, diz o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

No caso dos grãos, as tensões comerciais entre Estados Unidos e China aumentaram a demanda do país asiático por produtos brasileiros. “Isso elevou bastante os prêmios, especialmente de soja, e fez com que as commodities agrícolas tivessem esse destaque”, afirma Vale.

Já o preço das carnes foi afetado no fim do ano principalmente pela peste suína africana, que reduziu de forma expressiva o rebanho de porcos na China e também aumentou a demanda por carne brasileira.

Para este ano, a tendência é de continuidade da “pressão dos preços agrícolas, com consequências para a inflação”, segundo o economista. A estimativa da MB Associados é que os preços de alimentos subam até 6%. Apesar do acordo entre Estados Unidos e China, a demanda do país asiático por soja deve continuar forte.

Já o preço das carnes “tende a voltar um pouco no curto prazo”, diz o economista. Ainda assim, as consequências da gripe suína devem se estender por mais três anos, pelo menos, calcula Vale.

Em relatório, a MCM Consultores destaca também que a elevação do preço das commodities agropecuárias registrada no mês passado foi a quarta alta mensal consecutiva do indicador.

Fonte: https://valor.globo.com/

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