Com recorde histórico, boi foi destaque na B3 em 2019

Entre as commodities agropecuárias mais negociadas no mercado futuro da B3, o boi gordo foi o destaque em 2019. O preço do animal alcançou suas máximas em novembro, aproveitando o clima de otimismo com as exportações à China e a menor oferta de gado decorrente do clima mais seco e da inversão do ciclo pecuário.

Levantamento feito pelo Valor Data com base nos contratos de segunda posição de entrega (normalmente os mais negociados) mostra que a arroba do boi gordo subiu mais de 11% em 2019 na comparação com 2018 e atingiu a média anual recorde de R$ 162,98

A comparação não dá conta do expressivo movimento que ocorreu no fim do ano. Em dezembro, o preço médio do boi gordo atingiu R$ 199,77 por arroba, sempre considerando os contratos de segunda posição de entrega, com valorização de 31,3% em relação à média do mesmo mês de 2018

A avaliação de analistas, porém, é que a disparada dos preços extrapolou a relação entre oferta e demanda, alimentada por um movimento especulativo que, cedo ou tarde, teria de ceder para se adequar à realidade. Embora seja consenso que a tendência é de preços mais altos – a demanda interna e externa é maior e a oferta de gado, mais restrita -, os preços do boi em novembro e no início de dezembro já não são mais praticados.

Após subirem mais de 35,5% ao longo de novembro – como aponta o indicador Esalq/B3 para o boi gordo no mercado físico -, as cotações refluíram, em um rápido movimento de acomodação. No dia 30 de dezembro, o indicador Esalq/B3 para o preço do boi gordo no mercado físico de São Paulo estava em R$ 206,95 por arroba, uma desvalorização de 10,6% na comparação com o fim de novembro.

Nesse cenário, os contratos futuros na B3 apontam que as cotações devem cair ainda mais. Os lotes com vencimento em maio já são negociados abaixo de R$ 187 a arroba na bolsa. Ainda assim, trata-se de um patamar bem mais alto que a média deste ano. Se a cotação média do boi gordo ficar em R$ 185 por arroba, a valorização na comparação com 2019 terá sido de mais de 13%.

Também subiram na B3 em 2019 os futuros de café, milho e etanol. A cotação média do papel de segunda posição do café em dezembro marcava alta de 26,8% em 12 meses, refletindo a escassez de grão de qualidade no país. O contrato de milho, por sua vez, subiu 25,2% na comparação, sustentado pela maior demanda interna e externa. Já o de etanol hidratado avançou 16,7%, na esteira da alta do petróleo e do dólar, que encareceram a gasolina.

Fonte: https://valor.globo.com/

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